






A missão da Companhia de Jesus continua sendo hoje a que sempre foi: o serviço da fé; a proclamação da Boa Nova da "salvação integral em Jesus Cristo, que começa nesta vida e alcança na vida eterna a sua plenitude". Desde a fundação da Companhia, porém, esse serviço, à exemplo de Cristo, sempre incluiu o testemunho, por palavra e, sobretudo, obras, do amor de Deus e do próximo, sem o qual a fé não é verdadeira. Por outro lado, a primeira exigência do amor é a justiça: o respeito pelo outro, pela sua dignidade e pelos seus direitos. Por esses motivos, no contexto de um mundo marcado pela falta de amor e de solidariedade, por tantas, tão vastas e profundas desigualdades e injustiças, a Companhia de Jesus define a sua missão hoje como a serviço da fé e a promoção da justiça: exigência absoluta desse serviço. (NC n. 4) No mundo de hoje, porém, há muitas pessoas de boa vontade que também promovem a justiça. Por que entrar na Companhia para fazer apenas isso? Em primeiro lugar, a nossa promoção da justiça situa-se num contexto de fé: isto é, de uma visão do ser humano, do mundo e da sociedade, inspirada pela fé e pelas suas exigências. Não se trata de promover simplesmente a "justiça social", mas de promovê-la no contexto mais amplo da justiça evangélica ou do Reino. Isso supõe uma concepção integral da pessoa humana, incluindo a necessidade de comunhão, participação e solidariedade, mas também de desprendimento, doação e gratuidade. Em segundo lugar, a Companhia, na sua última Congregação Geral, pede que ao promover a justiça não fiquemos apenas na superfície das coisas e combatamos a injustiça, não só no nível sócio-econômico e sócio-político, mas também nas suas raízes, nos contravalores que permeiam a nossa cultura, e até no nível sócio-religioso: no modo, talvez errado, como interpretamos e vivemos a nossa fé, individual e comunitariamente. Em terceiro lugar, o serviço da fé e a promoção da justiça que esse serviço exige, devem sempre se fazer de acordo com o nosso próprio carisma e modo de proceder, como membros de uma ordem religiosa e apostólica, inspirados pela espiritualidade que Santo Inácio nos deixou como herança e da qual os Exercícios Espirituais são a sua expressão mais autêntica e acabada. Para nós o modo, evangélico e inaciano, como servimos a fé e promovemos a justiça é tão importante quanto o mesmo serviço e promoção. Em quarto lugar, a Companhia serve a fé e promove a justiça não de um modo determinado, definido pelo seu Instituto, Constituições ou posterior legislação, mas através de uma grande variedade de obras e ministérios, alguns deles tradicionais, outros novos, que devem ser constantemente avaliados e discernidos, com grande liberdade, á luz dos sinais dos tempos e das necessidades apostólicas dos tempos em que vivemos. Esse modo de conceber a missão apresenta desafios bem exigentes, mas fascinantes, para jovens generosos e de talento que se sintam chamados a servir a missão de Jesus Cristo no mundo contemporâneo.





