









Nossa Senhora e a Companhia de Jesus
Um aspecto do modo de proceder tipicamente inaciano e jesuítico, que também muito colabora para uma cultura vocacional propriamente jesuítica, é o seu perfil mariano. A devoção à Nossa Senhora é uma das constantes da espiritualidade de Santo Inácio.
Na Autobiografia, Santo Inácio recorda dois aspectos significativos relacionados à Maria. Ele diz que estando em Loyola, após ser ferido em Pamplona, quando já começava a melhorar, começou a colocar por escrito algumas coisas que mais lhe chamavam a atenção. Diz que “... pôs-se a escrever um livro com muita diligência, porque já começara a levantar-se e a andar um pouco pela casa. Traçava as palavras de Cristo, com tinta vermelha; e as de Nossa Senhora, com tinta azul...” (Aut. 11).
No caminho entre Aránzazu e Monserrate teve o Peregrino a disputa com o mouro por causa de Nossa Senhora. Podíamos alargar o elenco de episódios marianos de Inácio, como a consolação que teve vendo Nossa Senhora com o Menino (Aut. 10), ou a vigília de armas em Monserrate (Aut.18), etc.
Nos Exercícios Espirituais, coluna vertebral da espiritualidade da Companhia de Jesus, Nossa Senhora ocupa um lugar de destaque. Assim, além de aparecer nos exercícios em que sua presença é evidente, como a Encarnação (EE 102), o Nascimento (EE 11), Maria é uma das mediadoras nos colóquios principais (EE 63, 147, 156, 168), que estão situados nos momentos mais decisivos da dinâmica espiritual dos Exercícios.
Na história da Companhia, um dos seus apostolados mais fecundos foram as Congregações Marianas. Em alguma época de crise, os inimigos da Companhia consideravam os congregados também como inimigos, tal era a vinculação entre a Companhia e os congregados. Assim, seu mesmo nome e modo de ser expressavam com eloqüência que nelas, em continuidade e fidelidade à espiritualidade da Companhia, o perfil mariano era muito presente.
Portanto, um elemento de uma cultura vocacional jesuítica é o destaque dado à Nossa Senhora na piedade, na devoção e na oração e, conseqüentemente, ensinar a outros a viver um contato próximo com ela que se caracteriza por ter pronunciado o sim mais pleno e total ao plano de Deus. Nossa Senhora, toda ela consagrada ao plano de Deus e a serviço da missão de Cristo, seu Filho, é a mãe das vocações consagradas.