Informativo do Secretariado Vocacional - Julho de 2003

CELEBRAR SANTO INÁCIO
DE LOYOLA, O PEREGRINO


Encerrando este mês de julho, a Igreja nos convida a fazer memória de nosso Pai Inácio.
Patrono dos Exercícios Espirituais, seu legado é para nós, jesuítas, leigos, religiosos e religiosas, cristãos de um modo geral, um caminho de busca e de encontro de Deus e de sua vontade. Além do quê, sem divisão ou separação entre o homem e o santo, entre o homem de armas e o homem profundamente de Deus, sua vida é também testemunho e apelo para nossas vidas hoje.
Profundamente arraigado a seu tempo e à sua história, é nesta que ele vai perceber os caminhos que a Sua Divina Majestade vai abrindo para ele, mesmo sem conhecer com detalhes ou certezas o que o espera no final deles. O que lhe é certo e claro é a convicção de que segue trilhando os caminhos de Sua vontade!
Numa bela página de seus escritos, o jesuíta francês André Ravier nos oferece uma imagem que representa muito bem a têmpera do santo de Loyola:

Uma palavra, de que tanto Inácio como seus companheiros gostavam, resume e simboliza a mentalidade inaciana: a peregrinação.
Eles são essencialmente peregrinos, sem cessar a caminho de uma Jerusalém ou de outra, primeiro a terrestre, depois a celeste.
Andam Estrada afora, ao sabor de Deus, com os passos de Deus... A Estrada... são todos os caminhos do mundo, da Espanha, da França, da Lorena, da Germânia, da Itália, que os congregaram e, depois, os conduziram até Roma.
Mas é muito mais a Senda de mistério e luz que o Senhor os faz seguir no decorrer de suas longas caminhadas terrenas.
Na estrada do Peregrino há o despojamento, a pobreza, por vezes a fome e a sede, os caprichos das estações, a incerteza dos dias de amanhã.
Há a liberdade do espírito, horizontes infinitos, sem limites nem constrangimentos, os ímpetos de adoração, de oblação, de ação de graças.
Há o imprevisto, o acontecimento inopinado, favorável ou adverso que é o melhor e mais seguro dos sinais de Deus, que comanda o ritmo da marcha, as paradas, as estadias, as partidas, as mudanças de rumo ou itinerário.
Há o encontro com “fiéis e infiéis”, companheiros que só por um tempo “seguem caminho” com a gente, ou companheiros que se mantêm fiéis, amigos que ajudam, inimigos que espreitam, gatunos que roubam, ricos que dão esmola, pobres que compartilham o mesmo pão.
Finalmente, a Estrada aproxima o peregrino cada dia, a cada instante, da Meta ainda escondida, mas certa. Ao voltar-se para trás, ele se dá conta de que o itinerário foi realmente maravilhoso, que a experiência o transformou, que está mais “puro”, mais livre, mais autêntico... numa palavra, que Deus, que está no termo, já palmilhava a estrada com ele.
(André Ravier sj – in Inácio de Loyola funda a Companhia de Jesus)