Informativo do Secretariado Vocacional - Novembro de 2005

Saber dar razão de nossa esperança (1Pd 3,15)

É realmente possível um entusiasmo vocacional em nossos dias? Que condições se requer para despertar nos jovens o desejo de viver cristãmente como este ou aquele grupo religioso? De fato, o entusiasmo se dá quando uma pessoa ou um grupo de pessoas criam ao seu redor, um ambiente tal que desperta em alguém a vontade de partilhar desse ambiente e a vida que transparecem essas pessoas.
O terreno propício para que cresça e prospere uma vocação (todas as vocações!) é, sem dúvida, um ambiente onde o seguimento de Jesus se viva com gozo, convicção e satisfação, e gere um espaço em que seja possível viver com esperança. Este clima seduz, e desperta o desejo de participar dessa mesma vida. Não podemos esquecer a importância que a sedução e o desejo exercem no coração dos jovens.
Somente se nós mesmos, nossas comunidades e instituições falarmos uma linguagem simbólica da vida que toque ao desejo e ao coração, será possível aos jovens de hoje se interessarem pela vocação cristã e depois pela especificidade do ser cristão (religioso, leigo, padre, matrimônio...). Na realidade cada cristão, cada comunidade ou grupo apostólico é portador de uma vocação que pode levar a outros optar por tal vocação.
Toda vocação é um dom gratuito e misterioso de Deus, mas a qualidade de nossa vida é a imagem humana visível do chamado do Senhor, porque só se pode escolher o que se conhece e ama.
Nós cristãos podemos nos perguntar com toda sinceridade, se o ambiente que respira em nosso interior é capaz de contagiar desejos de entrega à proposta e à pessoa de Jesus Cristo; gozo em viver a proposta evangélica e esperança no futuro ou se, pelo contrário, arrasta uma vida opaca que não desperta em ninguém o desejo de compartilhá-la. Falamos esta linguagem existencial ou pelo contrário quase sempre precisamos de intérpretes para fazer-nos compreender? Somos “fragrância de Cristo” (2Cor 2,15) ou mantemos o perfume bem guardado, escondido em belo frasco sem que ninguém goze de seu aroma, nem possa ser atraído por seu odor (Jo 12,3)?
Somos chamados a nos convencer de que o seguimento de Jesus vivido radicalmente e compartilhado com outros, se expressa através dos frutos de seu Espírito como são o gozo, a alegria e a esperança (Gl 5,22). Pois, o anúncio da fé em Jesus como o Senhor só é possível com um convencimento íntimo e um entusiasmo explícito que chega ao nível do afeto e do coração.